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Viagem de Carro

BR-153 · SP · GO · TO

BR-153, a Transbrasiliana

O eixo que corta o país pelo miolo, e muda de qualidade a cada estado

Publicado em 10 de agosto de 2026

UFs
SP · GO · TO
Pista
Pista simples
Duplicada
15%
Postos
~60 km
  • Sinal de celular falho em trechos

O que pede atenção

  • É uma rodovia muito longa e majoritariamente de pista simples, com trecho de baixo movimento e pouca estrutura de apoio em partes do Centro-Oeste.
  • O tráfego pesado de caminhão é constante em quase toda a extensão, o que exige mais cautela nas ultrapassagens.
BR-153, a Transbrasiliana

A BR-153 é o eixo que atravessa o Brasil pelo miolo, ligando o interior paulista ao sul do Pará por Goiás e Tocantins. É a estrada que a gente pega quando o destino não está no litoral nem em uma capital do Sudeste, e é também a rodovia em que o país mostra a diferença mais brutal entre um trecho e outro. Em alguns segmentos você roda em pista boa e movimentada. Em outros, atravessa dezenas de quilômetros sem cruzar com nada além de carreta.

Quem vai fazer a Transbrasiliana precisa entender uma coisa antes de sair: aqui a viagem não se planeja por quilometragem, se planeja por cidade. A distância entre dois pontos com estrutura de verdade é o dado que decide onde você vai dormir, onde vai abastecer e quanto vai render o dia.

Como é a estrada

O padrão dominante é pista simples, uma faixa por sentido, com faixa adicional aparecendo apenas em algumas subidas mais longas. Existem segmentos duplicados, quase sempre em torno das áreas urbanas maiores e no eixo entre Anápolis e Goiânia, onde o volume de tráfego é metropolitano. Passada essa faixa, a rodovia volta ao formato antigo.

O pavimento é o item que mais varia. Há segmentos recuperados com sinalização nova e há segmentos com trilha de roda marcada, remendo em curva e bordo desgastado. Acostamento existe em boa parte do traçado, mas nem sempre em condição de uso: em vários pontos ele é estreito, mais baixo que a pista ou tomado por vegetação, o que torna a parada de emergência menos segura do que parece.

Iluminação artificial só perto de cidade. À noite, a referência é refletivo e tacha, e nem toda a extensão tem isso em bom estado. Sinal de celular funciona nos entornos urbanos e falha em faixas do Centro-Oeste e do Tocantins, o que muda a preparação: mapa offline, tanque cheio e alguém sabendo o seu horário previsto de chegada.

O tráfego é dominado por caminhão de longa distância. Ele roda em comboio, mantém velocidade constante e ocupa a pista o tempo todo. Você vai passar boa parte da viagem atrás de um, esperando a reta certa.

Os trechos que pedem atenção

A ultrapassagem é o assunto central da BR-153. Em pista de mão dupla com fluxo pesado, a colisão frontal é o acidente típico, e ele acontece por acúmulo de impaciência. A regra prática que funciona é conservadora. Ultrapasse uma carreta por vez, com reta longa, faixa tracejada e nenhum farol visível à frente. Ultrapassar duas de uma vez é onde as contas costumam não fechar.

Poeira e fumaça mudam a visibilidade em época seca no Centro-Oeste, principalmente no fim da tarde. Em época de chuva, o problema se inverte: água acumulada em depressão de pista e barro trazido por acesso de terra deixam pontos localizados escorregadios.

Animal na pista é risco real nos segmentos rurais, sobretudo à noite e no amanhecer. Boi solto, capivara e cachorro aparecem sem aviso em trechos sem cerca conservada. É o principal motivo para não fazer os vazios no escuro.

As travessias urbanas trazem outro tipo de atenção. Em várias cidades a rodovia funciona como avenida, com semáforo, moto, comércio na margem e conversão à esquerda. A velocidade cai muito por alguns quilômetros e a fiscalização eletrônica é densa, o que costuma pegar quem vinha em ritmo de estrada.

Onde parar

A estrutura se concentra no eixo Goiás, que é a parte mais movimentada do corredor. Perto de Goiânia, de Anápolis e de Itumbiara você encontra posto grande, restaurante de estrada, borracharia e oficina sem precisar procurar. É ali que vale resolver tudo antes de seguir para o norte.

No Tocantins, os pontos de referência ficam mais espaçados. Gurupi e Araguaína são as paradas naturais, com hospedagem e serviço mecânico, e entre elas o intervalo é longo o bastante para você não querer testar a reserva. Postos isolados existem, mas nem todos operam de madrugada, e a diferença entre um posto de rodovia bem montado e um posto pequeno de beira de estrada é grande em banheiro e comida.

Para viagem de vários dias, monte as etapas de forma que você chegue à cidade de pernoite antes de escurecer. É o ajuste que mais reduz risco no corredor inteiro, e ele custa apenas sair mais cedo.

Pedágio

A cobrança na BR-153 não é uniforme. Parte da rodovia esteve ou está sob concessão, parte segue com gestão federal direta, e os contratos mudaram de desenho nos últimos anos, com trechos redistribuídos entre operadores. Na prática, o motorista atravessa faixas sem cobrança e faixas com praça, e o mapa que valia em uma viagem anterior pode não valer na próxima.

O que resolve é sair com TAG ativa e placa correta no cadastro, e levar dinheiro ou cartão como reserva. Em rodovia longa com operação heterogênea, cabine com problema de leitura e praça recém-implantada são situações comuns. Antes de viajar, confira a situação do seu trecho na concessionária responsável ou no órgão federal, em vez de trabalhar com um valor de memória. Também vale conferir se há obra de duplicação em andamento no seu segmento, porque canteiro com pare e siga muda o tempo de viagem mais do que qualquer outro fator do corredor.

Perguntas frequentes

A BR-153 é segura para viagem longa?

Exige preparo. É majoritariamente de pista simples, com tráfego pesado de caminhão e trechos em que a estrutura de apoio fica distante. Planeje as etapas por cidade e evite dirigir à noite nos segmentos mais vazios.

Qual é a melhor forma de dividir o percurso?

Por cidade de porte médio, não por quilometragem. Anápolis, Goiânia, Itumbiara, Gurupi e Araguaína são pontos naturais de pernoite ou de parada longa, com hospedagem, oficina e combustível.

Dá para rodar de noite?

Dá, mas não é recomendado nos trechos rurais. Falta iluminação, animal solto na pista acontece e o socorro demora. Se precisar rodar no escuro, escolha os segmentos mais movimentados e perto de cidade.

Tem pedágio em toda a extensão?

Não. A cobrança não é uniforme, com trechos concedidos e trechos sob gestão federal direta. Confira a situação do seu segmento antes de sair, porque os contratos mudaram nos últimos anos.

Rotas que passam por aqui